Mundo
Maioria das espécies de abelhas selvagens na Europa está em declínio
Com o início da COP17, registos que remontam a 1921 mostram que, em toda a Europa — com exceção dos Alpes —, o número de espécies de abelhas em declínio supera o das que estão em expansão.
Um estudo, divulgado no momento em que se inicia uma cimeira da ONU sobre biodiversidade na Arménia, revela que a maioria das espécies de abelhas selvagens e cerca de metade das espécies de moscas-das-flores (sifídeos) na Europa sofreram um declínio ao longo do último século.
Dados recolhidos desde 1921 indicam que, em todas as regiões da Europa — exceto na região alpina —, existem mais espécies de abelhas em declínio do que em expansão. O estudo constatou uma quebra persistente na riqueza de espécies de abelhas e moscas-das-flores nas regiões Atlântica e Continental, enquanto, noutras áreas, as tendências se mostraram variadas ou mesmo positivas.
Segundo os cientistas, os dados — que abrangem 88 por cento das espécies de abelhas e moscas-das-flores em todo o continente — sugerem que as comunidades de polinizadores foram reconfiguradas pela “perda gradual de espécies sensíveis e pela ascensão de um pequeno grupo de espécies resilientes”.
Alertaram para a possibilidade de “perturbações funcionais mais profundas” caso as tendências atuais não sejam invertidas.
Cerca de 90 porcento das plantas com flores silvestres, bem como mais de três quartos das principais culturas agrícolas, dependem, em parte, da polinização animal.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o declínio dos polinizadores desencadeia uma reação em cadeia que ameaça a vida selvagem e compromete a capacidade dos ecossistemas de resistir às alterações climáticas e ao stress ambiental.
Carlos Martínez-Núñez, ecólogo do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha e autor principal do estudo, afirmou ao jornal britânico Guardian, que os resultados demonstram que a perda de biodiversidade pode permanecer oculta por detrás de números aparentemente estáveis de espécies, “proporcionando-nos uma oportunidade crucial para agir antes que ocorram declínios ainda maiores”.
“O facto de algumas espécies estarem atualmente em expansão não significa que continuarão a prosperar à medida que as alterações climáticas e a perda de habitat se intensificam”, acrescentou.
As conclusões surgem no momento em que os diplomatas se reúnem em Yerevan para a 17ª conferência da ONU sobre biodiversidade. A cimeira, conhecida como COP17, irá focar-se na conservação e utilização sustentável do mundo natural, bem como na repartição dos benefícios derivados dos seus recursos genéticos.
O estudo constatou que 91 por cento das espécies registadas ao longo do último século também foram observadas pelo menos uma vez no período recente, entre 2001 e 2020.
Embora isto sugira que até nove por cento das espécies possam ter sido extintas na Europa, muitas das que não foram vistas recentemente só aparecem raramente nos registos históricos; por isso, os investigadores afirmam que “não esperam que tenha ocorrido, até à data, uma extinção em grande escala”.
No entanto, a ocupação das espécies — a probabilidade de se encontrarem num determinado local — apresentou, na sua maioria, uma quebra.
Ainhoa Magrach, investigadora ambiental do Centro Basco para as Alterações Climáticas (BC3) — que não participou no estudo —, realçou que o trabalho “confirma o que já se suspeitava há muito tempo: muitas espécies de polinizadores estão a perder populações, e este declínio não as afeta a todas da mesma forma”.
“Até agora, a maior parte das provas vinha de alguns países do noroeste da Europa, como o Reino Unido, a Bélgica e os Países Baixos”, disse ela. “Este trabalho mostra que o padrão se estende por todo o continente, embora existam algumas diferenças regionais.”
A vida selvagem está a desaparecer a um ritmo sem precedentes, à medida que os seres humanos destroem habitats, utilizam pesticidas e alteram o clima através da poluição que aquece o planeta.
Apesar das consequências graves para a humanidade — incluindo ameaças aos sistemas alimentares e um agravamento do colapso climático —, os governos não cumpriram nenhuma das metas da ONU relacionadas com a natureza desde a criação da Convenção sobre a Diversidade Biológica, no Rio, em 1992.
Espera-se que a conferência COP17 se concentre na avaliação do progresso em relação às metas desta década, que incluem a proteção de 30 por cento das áreas terrestres e marinhas, a reforma de 500 mil milhões de dólares (cerca de 445 965 milhões de euros) em subsídios que causam danos ambientais, e a restauração de 30 por cento dos ecossistemas degradados do planeta.
Dados recolhidos desde 1921 indicam que, em todas as regiões da Europa — exceto na região alpina —, existem mais espécies de abelhas em declínio do que em expansão. O estudo constatou uma quebra persistente na riqueza de espécies de abelhas e moscas-das-flores nas regiões Atlântica e Continental, enquanto, noutras áreas, as tendências se mostraram variadas ou mesmo positivas.
Segundo os cientistas, os dados — que abrangem 88 por cento das espécies de abelhas e moscas-das-flores em todo o continente — sugerem que as comunidades de polinizadores foram reconfiguradas pela “perda gradual de espécies sensíveis e pela ascensão de um pequeno grupo de espécies resilientes”.
Alertaram para a possibilidade de “perturbações funcionais mais profundas” caso as tendências atuais não sejam invertidas.
Cerca de 90 porcento das plantas com flores silvestres, bem como mais de três quartos das principais culturas agrícolas, dependem, em parte, da polinização animal.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o declínio dos polinizadores desencadeia uma reação em cadeia que ameaça a vida selvagem e compromete a capacidade dos ecossistemas de resistir às alterações climáticas e ao stress ambiental.
Carlos Martínez-Núñez, ecólogo do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha e autor principal do estudo, afirmou ao jornal britânico Guardian, que os resultados demonstram que a perda de biodiversidade pode permanecer oculta por detrás de números aparentemente estáveis de espécies, “proporcionando-nos uma oportunidade crucial para agir antes que ocorram declínios ainda maiores”.
“O facto de algumas espécies estarem atualmente em expansão não significa que continuarão a prosperar à medida que as alterações climáticas e a perda de habitat se intensificam”, acrescentou.
As conclusões surgem no momento em que os diplomatas se reúnem em Yerevan para a 17ª conferência da ONU sobre biodiversidade. A cimeira, conhecida como COP17, irá focar-se na conservação e utilização sustentável do mundo natural, bem como na repartição dos benefícios derivados dos seus recursos genéticos.
O estudo constatou que 91 por cento das espécies registadas ao longo do último século também foram observadas pelo menos uma vez no período recente, entre 2001 e 2020.
Embora isto sugira que até nove por cento das espécies possam ter sido extintas na Europa, muitas das que não foram vistas recentemente só aparecem raramente nos registos históricos; por isso, os investigadores afirmam que “não esperam que tenha ocorrido, até à data, uma extinção em grande escala”.
No entanto, a ocupação das espécies — a probabilidade de se encontrarem num determinado local — apresentou, na sua maioria, uma quebra.
Ainhoa Magrach, investigadora ambiental do Centro Basco para as Alterações Climáticas (BC3) — que não participou no estudo —, realçou que o trabalho “confirma o que já se suspeitava há muito tempo: muitas espécies de polinizadores estão a perder populações, e este declínio não as afeta a todas da mesma forma”.
“Até agora, a maior parte das provas vinha de alguns países do noroeste da Europa, como o Reino Unido, a Bélgica e os Países Baixos”, disse ela. “Este trabalho mostra que o padrão se estende por todo o continente, embora existam algumas diferenças regionais.”
A vida selvagem está a desaparecer a um ritmo sem precedentes, à medida que os seres humanos destroem habitats, utilizam pesticidas e alteram o clima através da poluição que aquece o planeta.
Apesar das consequências graves para a humanidade — incluindo ameaças aos sistemas alimentares e um agravamento do colapso climático —, os governos não cumpriram nenhuma das metas da ONU relacionadas com a natureza desde a criação da Convenção sobre a Diversidade Biológica, no Rio, em 1992.
Espera-se que a conferência COP17 se concentre na avaliação do progresso em relação às metas desta década, que incluem a proteção de 30 por cento das áreas terrestres e marinhas, a reforma de 500 mil milhões de dólares (cerca de 445 965 milhões de euros) em subsídios que causam danos ambientais, e a restauração de 30 por cento dos ecossistemas degradados do planeta.